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FOLHETIM 23
A dramaturgia, entre o sagrado e o obsceno, a pesquisa formal e o engajamento, é o fio condutor deste número de Folhetim.
Alexandra Moreira da Silva, pesquisadora, tradutora e ensaísta portuguesa, analisa a obra de dois jovens autores, o brasileiro Camilo Pellegrini e o português Abel Neves, apontando para as principais tendências da dramaturgia contemporânea.
O sagrado como marca no teatro e na dramaturgia é abordado por Ligia Vasallo, em As danças dramáticas de Bali e as epopéias da Índia, e por Ismael Scheffler, em As "imagens indestrutíveis" do teatro sagrado de Artaud. Martha Ribeiro comenta a recriação da dramaturga inglesa Sarah Kane para o mito de Fedra e Hipólito pelo viés da obscenidade e Luís Reis recorta do romance Os ambulantes de Deus, de Hermilo Borba Filho, o auto teatral que, apoiado em metáforas folclórico-religiosas, faz uma aguda crítica à situação de exceção que o país vivia nos anos de 1970.
Na entrevista, Helio Eichbauer, artista múltiplo, que em quatro décadas de trabalho como cenógrafo, figurinista, iluminador e diretor de arte, tem conjugado, com imenso talento, a abstração, o figurativismo e a cinética, lança um olhar “espacial” sobre a dramaturgia e, de forma mais ampla, sobre a palavra – do poeta, do filósofo – fonte primordial de estudos para as suas criações.
A palavra também está em foco na conversa com o editor J. Guinsburg a respeito do perfil e das publicações da Editora Perspectiva, fundada por ele em 1961 e que tem um dos catálogos mais completos na área de teatro no Brasil.
No excelente livro de Ana Bernstein, A crítica cúmplice, resenhado por Edelcio Mostaço, um completíssimo panorama de nossa modernidade teatral é traçado, a partir da atividade crítica e acadêmica de Decio de Almeida Prado, que nos legou não apenas uma extensa e interessante bibliografia sobre teatro, mas uma forma de olhar para o espetáculo que ainda hoje serve de norte para os melhores ensaístas do país nessa área.
E o coletivo Ex-Cudo Negô, que se dedica a produzir textos sobre gestão e produção cultural e é formado por Flávia Berton, Márcia Nunes e Sidnei Cruz, faz uma análise das políticas de patrocínio cultural das instituições públicas e privadas, a partir da perspectiva do papel estratégico da cultura e da arte na sociedade.
E mais: Alexandra Moreira da Silva; Edélcio Mostaço; Ismael Scheffler; Ligia Vassallo; Luís Reis ; Martha Ribeiro;