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FOLHETIM 21
Neste número, a interlocução entre criadores de épocas diversas, países diferentes e diferentes domínios artísticos é o fio condutor dos ensaios e entrevistas.
Com grande satisfação, publicamos o artigo Os novos desafios da imagem e do som para os atores. Em busca de um super-ator?, lançando no Brasil o trabalho de Béatrice Picon-Vallin, diretora de pesquisas do CNRS, professora do Conservatório de Arte Dramática de Paris e editora de várias coleções teatrais na França e na Suíça.
A importância de Shakespeare para a discussão estética alemã pode ser avaliada pela posição de Goethe em relação a ele: entusiasmo na juventude, comedida admiração na maturidade, como mostra Pedro Süssekind em seu ensaio.
As correspondências entre Gertrude Stein e Thornton Wilder são o ponto de partida de Inês Cardoso Martins Moreira, que rastreia, no obra de ambos, os reflexos da amizade que os unia, lançando nova luz sobre a peça Nossa cidade, de Wilder.
Em Há!, Giselle Ruiz aborda o trabalho desenvolvido nas décadas de 1970 e 1980 pela bailarina uruguaia Graciela Figueiroa no Rio de Janeiro, onde fundou o Grupo Coringa, em sintonia com os movimentos de contracultura e com seu interesse pelo oriente.
A querela entre os antigos e os modernos é observada por Christine Junqueira em A crítica teatral carioca e a consolidação do teatro brasileiro moderno no âmbito das desavenças que dividiram, na década de 1960, a crítica impressionista, reunida na ABCT, Associação Brasileira de Críticos Teatrais e os representantes da nova crítica, reunidos no CICT, Círculo Independente de Críticos Teatrais.
A fotografia de cena, como registro e como arte, é o tema da seção Em foco, que neste número apresenta Guga Melgar e Lenise Pinheiro: dois pontos de vista que têm ajudado não só a documentar mas, de certo modo, a construir um olhar sobre a cena teatral dos últimos vinte anos no país.
O lançamento de uma nova edição do Teatro completo de Nelson Rodrigues pela Nova Fronteira recoloca no centro da cena teatral a discussão a respeito das relações entre texto e espetáculo. É o que mostra Walter Lima Torres em sua resenha sobre a coleção, ao enfatizar a oportuna idéia de encomendar a apresentação dos volumes a diretores que, em suas montagens de textos de Nelson, abordaram a obra dele sob um viés original.
Na entrevista de Sidnei Cruz, diretor, autor e agitador cultural, responsável pela criação do projeto Palco Giratório, do SESC-DN, acompanhamos em paralelo a formação estética do criador e o amadurecimento do gestor cultural, capaz de multiplicar projetos e integrar, por meio deles, esse imenso Brasil.