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FOLHETIM 16
Poucos meses antes de sua morte, Gerd Bornheim realizou, a convite do Departamento Nacional do SESC, a palestra A inexorabilidade da morte, no ciclo Memento mori, expressão que significa: “Lembra-te de que deves morrer”. Na perspectiva de Gerd, à super-exposição da morte em massa na contemporaneidade corresponde um pesado silêncio sobre a “indesejada das gentes”. De fenômeno encarado com naturalidade pelos antigos gregos, que viviam da guerra, a morte passa a ser entendida como castigo do pecado, na tradição hebraico-cristã, como mal a ser superado.
A impossibilidade de falar da própria morte, sublinhada por Gerd na palestra que ora publicamos, talvez esteja na raiz do teatro e é por isto que Kantor, em seu manifesto O teatro da morte, identifica o jogo teatral com o reconhecimento simultâneo de uma identidade entre os participantes e de uma irredutível diferença entre aqueles que assistem e aqueles que, isolados por uma barreira invisível, colocam a vida em silhueta, projetada contra a morte que toma a cena.
Ao dedicar ao teatro parte significativa de sua atividade crítica, Gerd, ao longo da vida, confrontou-se com a questão da inexorabilidade da morte e com a sua representação.
Agora que ele não está mais entre nós, tentamos colocar o luto em perspectiva e compreender a falta que ele nos faz, pensando sobre o que ele pensava.